abril 20

Estudo Brasileiro Inédito Usa Cannabis no Tratamento da Doença de Parkinson

Um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está abrindo novas perspectivas para o tratamento da Doença de Parkinson. Liderado pela Dra. Ana Carolina Ruver Martins, farmacologista e especialista em interações medicamentosas, o trabalho investiga os efeitos terapêuticos da cannabis medicinal, mais especificamente dos canabinoides CBD (canabidiol) e THC (tetrahidrocanabinol).


O que o estudo revelou?

A pesquisa envolveu 68 pacientes com Parkinson em estágio leve a moderado. Durante seis meses, eles foram divididos em dois grupos:

  • Um grupo recebeu um placebo (substância sem efeito terapêutico, mas com o mesmo sabor, cheiro e aparência do medicamento);

  • O outro grupo recebeu óleo contendo CBD e THC em doses terapêuticas cuidadosamente selecionadas.

O protocolo do estudo foi duplo-cego e controlado, ou seja, nem os pesquisadores nem os pacientes sabiam quem estava usando o medicamento real. Essa metodologia aumenta a confiabilidade dos resultados.

Principais resultados:

  • Melhora significativa nos sintomas motores, como tremores, rigidez muscular e dificuldade de locomoção;

  • Redução de sintomas não motores, como depressão, ansiedade e distúrbios do sono;

  • Efeitos positivos foram observados de forma mais rápida e intensa no grupo que recebeu os canabinoides.


Como a cannabis atua no organismo?

Segundo a Dra. Ana Carolina, a cannabis medicinal atua no sistema endocanabinoide, um sistema biológico que ajuda a manter o equilíbrio do organismo, especialmente no sistema nervoso.

  • O THC, em doses controladas, se liga a receptores que regulam os movimentos e ajudam a reduzir tremores e rigidez.

  • O CBD tem forte ação anti-inflamatória e antioxidante, protegendo os neurônios e diminuindo inflamações que afetam o cérebro de pacientes com Parkinson.


Por que esse estudo é tão importante?

De acordo com a pesquisadora, apenas 11 estudos clínicos com seres humanos sobre o uso de cannabis no Parkinson foram publicados no mundo até o momento. Muitos deles não usaram doses padronizadas nem protocolos rigorosos como este.

Além de trazer evidência científica robusta, o estudo:

  • Ajuda médicos a tomarem decisões mais seguras sobre a prescrição de cannabis medicinal;

  • Contribui para o desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos à base de CBD e THC;

  • Apoia a regulamentação brasileira, como a RDC 327/2019, que autoriza a comercialização desses produtos em farmácias com prescrição médica.


E os próximos passos?

Os pacientes que participaram da primeira fase continuam sendo acompanhados em uma nova etapa do estudo, com duração de mais dois anos, para verificar se os efeitos positivos se mantêm a longo prazo.


Conclusão

O trabalho da Dra. Ana Carolina Ruver Martins representa um avanço importante para a ciência brasileira e uma nova esperança para quem convive com a Doença de Parkinson. A cannabis medicinal, quando usada com responsabilidade e sob acompanhamento profissional, pode se tornar uma aliada poderosa no tratamento de sintomas motores e emocionais da doença.

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